quarta-feira, 10 de junho de 2015

A agropecuária tem que produzir dinheiro novo!



       Torna-se muito difícil questionar a atividade agropecuária, especialmente nestes últimos anos, em que ela vai de vento em popa!
 Mas, respaldados por mais de 30 análises, já efetuadas sobre o setor agropecuário da região sul do RS,  verificamos que é imperioso afirmar que ele tem que produzir mais dinheiro ou dinheiro novo! Esta é a necessidade para a qual a agropecuária deve redirecionar o seu foco.
 Sem dúvida, temos que enaltecer e congratularmo-nos com os avanços ocorridos na agricultura em termos de produção e produtividade. O avanço tecnológico, na área de insumos, equipamentos, crédito e conhecimento são surpreendentes. No entanto, todo este avanço tecnológico ocorrido, em especial nos últimos dez anos, tem trazido pouco aumento da riqueza das comunidades rurais ou este aumento poderia ter sido bem maior.
 Quais seriam as razões que poderiam alicerçar  esta afirmação?
 Por primeiro, podemos ter que o foco desmesurado no aumento da produção e da produtividade, turvou o olhar dos agricultores e dos técnicos, quanto ao aspecto da relação custo benefício no emprego das técnicas para alcançar este fim. Muitas das tecnologias são utilizadas como pacotes ou receitas de bolo, sem a realização de uma análise de solo, uma observação mais acurada do efetivo ataque das pragas e doenças, de uma análise financeira ou do estudo da capacidade de pagamento no caso da aquisição dos equipamentos agrícolas. 
 A forma de comercialização tem se mantido no modelo de décadas atrás.  O comércio do arroz e do boi vem desenvolvendo-se da mesma forma há anos, sendo que o do boi para quem não oferta lotes maiores têm grande dificuldade de colocação, além da novela que se processa até a concretização do negócio.  No comércio do arroz a grita dos agricultores é histórica e justa, pois que além do preço de venda do produto em si, têm o preço do arrendamento da terra e da água, travestido de parceria, a abocanhar uma fatia considerável da renda final.
 A baixa evolução das agroindústrias de um modo geral  é outro ponto importante a ser registrado. Ocorreu uma evolução significativa nos processos operacionais de beneficiamento da produção, mas ainda é muito baixa a transformação em outros produtos a serem ofertados aos novos consumidores. Estamos fazendo bem feito algo que está trazendo pouco  resultado a nossa economia agropecuária. Precisamos entender os desejos destes novos consumidores, com maior renda, novos hábitos alimentares e com menor tempo para as refeições. A própria cultura da soja com sua liquidez na comercialização, pode ter questionada a sua exportação na forma bruta, com baixo valor agregado e com baixo recolhimento de tributos aos cofres públicos.
 Como último item, deve ser analisada a destinação ou a reinversão do lucro obtido pelos agentes do agronegócio ao final do ciclo agropecuário. Eis que, predomina, há muito, a aplicação do lucro obtido dos empreendimentos, que resultam superavitários  em imobilização deste capital em aquisição de imóveis rurais ou urbanos, que geram uma baixa circulação da riqueza produzida.
 Os quatro itens apontados têm provocado baixa movimentação econômica nos municípios originários da produção, um baixo emprego de profissionais com maior nível de qualificação e menor renda aos próprios agentes envolvidos no agronegócio.
 Há  urgência na criação de novos negócios nos municípios da região, que resultem na produção de dinheiro novo, que acabe também aportando nas finanças municipais e estadual, entes que mostram-se desesperados por mais recursos. Ou mesmo para atender os justos reclamos dos próprios agentes envolvidos na produção e de suas lideranças, que pedem mais ações em  infra-estrutura  e logística. Obras necessárias, mas dependentes  da geração de muita riqueza para a sua construção, visto o alto dispêndio para a sua realização.
 Estamos certos que este dinheiro novo virá com a mudança da atual visão, de somente plantar e colher e vender na forma bruta para uma postura empresarial, em que predomine a incorporação da inovação e  do empreendedorismo.

O Atavismo na Relação Agrária da Lavoura de Arroz do RS

O Atavismo na Relação Agrária da Lavoura de Arroz do RS É impressionante como perdura no tempo a forma da relação agrária no arrendamento da terra e da água na lavoura de arroz, impactando sobremaneira o custo de produção. O sistema vigente remete à época do meeiro, terça ou quinta parte, que eram utilizados nos anos 1950-1965 em outros cultivos no RS. O IRGA – Instituto Rio Grandense do Arroz publicou o Censo da Lavoura de Arroz Irrigado no RS – Safra 2004-2005, do qual se pode deduzir, que 39,7% dos produtores de arroz cultivam o cereal sob o arrendamento da terra e da água. No censo em referência não há menção ao valor pago pelo arrendamento da terra e da água. Porém, em consulta junto a alguns agentes de extensão da lavoura arrozeira, concluiu-se que estes valores podem ficar entre 20 a 32% (terra e água) com um valor médio de 25% (10% pela terra e 15% pela água). Numa análise financeira mais apurada, tem-se que o custo de 25% não pode ser lido na forma direta, ou seja: de uma colheita de 140 sacos ao custo de 25% pela terra e água não significa apenas a entrega de 35 sacos ao proprietário! Deve ser somado a este montante outros 70% a título do custo da produção, visto que ela é entregue seca e limpa, pois não há nenhuma participação do proprietário nos demais custos de insumos, serviços e maquinários utilizados na condução da lavoura. Então, deve-se imputar 70% de custo de produção sobre os 35 sacos que serão entregues, somando outros 24,5 sacos num total agora de 59,5 sacos por hectare. Então, do total colhido de 140 sacos ficou assim dividido: 80,5 sacos para o plantador e 59,5 sacos para o pagamento do arrendamento da terra e da água. Em percentual fica assim dividido: - 57,5% da colheita para o plantador e 42,5% para o proprietário, sendo que o risco da produção e o do capital ficam com o primeiro. Sem sombra de dúvida o item arrendamento da terra e água representa o maior custo da lavoura de arroz, o que praticamente inviabiliza os 39,7% dos produtores que cultivam o arroz neste sistema de produção. No entanto, este problema não é salientado a parte, quando são estudados os itens de custo da lavoura arrozeira, ele é tratado apenas com um valor médio dentre os sistemas existentes. Temos afirmado isso em diferentes fóruns e artigos publicados a partir de 1993 e que estão disponíveis na internet, revistas especializadas, compêndios internacionais e na CPI do Arroz. Na ata da Comissão Setorial Estadual do Arroz do RS incluímos a seguinte afirmação: - ... visto que quarenta por cento dos produtores que pagam vinte e cinco por cento pela terra e água, já saem, por ocasião do plantio, sabendo que vão chegar “no vermelho” na colheita e comercialização. Antonio Paulo Lima de Carvalho, em seu trabalho de conclusão de mestrado em economia, afirmou: - A cultura do arroz, economicamente predominante na região, é realizada, ao longo de décadas desde a sua constituição, predominantemente em áreas cultivadas sob a forma de arrendamento, oscilando histórica e estruturalmente em 2/3 da área cultivada e a um custo de 1/3 da produção, conforme salientado por Beskow (1986) e Becker (1992). http://repositorio.pucrs.br/dspace/bitstream/10923/2592/1/000445337-Texto%2BCompleto-0.pdf O presidente da Federação das Cooperativas de Arroz do Rio Grande do Sul -FEARROZ e Vice-Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Arroz – ABIARROZ e coordenador por oito anos da Câmara Setorial Nacional do Arroz, em entrevista a Revista Planeta Arroz, Edição 39, quando perguntado “Que pontos trabalham contra a lavoura? Respondeu: - Creio que um dos principais seja o elevado custo de produção. O problema é que um alto percentual de produtores não tem como controlar alguns itens desse custo. Não posso conceber como viável um negócio que retire da renda bruta parcela que comprometa de 25 a 30%, caso da maioria dos 65% de produtores que são arrendatários. O problema não é exatamente o percentual, o problema é que este percentual extrapola os itens terra e água e passa a incidir sobre o incremento da produção resultante da tecnologia adquirida pelo produtor e sua capacidade gerencial. A lavoura de arroz é uma lavoura cara e exige alta tecnologia, e o produtor/arrendatário termina deixando incidir aquele percentual sobre a parte da produção, que é resultante da sua gestão e da tecnologia aplicada, nada tendo a ver diretamente com a capacidade produtiva da terra ou do insumo água. Em comentário no site de notícias da Revista Planeta Arroz, abaixo das notícias intituladas “Além do Horizonte e Plantio do arroz no Estado está prestes a ser concluído” - (23 e 24.12.2014), um produtor de Pelotas afirmou que: - Quem paga arrendamento e tem alguma dívida prorrogada, ... arroz a menos de 45,00 a conta não fecha – colheita 150-160 sc/ha. O instituto do arrendamento nesta modalidade e montante gera enriquecimento sem causa para os proprietários e leva a derrocada de muitos produtores, além da necessidade de periódicos aportes de recursos públicos. O mais grave nisso tudo é que estes aportes públicos beneficiam mais os que não têm o item arrendamento terra e água como item do custo, gerando uma maior concentração nas áreas de produção arroz. Para os mais incrédulos ou céticos, abaixo vai na integra dois anúncios de sites de negócios rurais e outra fonte consultados na internet: 1. Fazenda para Arrendamento-Pelotas/RS 220hec. para arroz 40 sacos o hec. area sem casa - http://www.imoveisvirtuais.com.br/fazendasofertoarrendar.htm 2. Arrendamento de Terras - Dom Pedrito/RS Tenho hoje para arrendamento 200 hcte para arroz, 40 sacos por hcte - junto 400 hcte pra soja 10 saco s por hcte 250 hcte pra soja 8 sacos (idem a fonte aterior) 3. O importante é que o arrendamento da terra para o plantio de soja custa apenas 10% da produção, enquanto no caso do arroz, por causa da água para a irrigação, o percentual é de 25%. Geraldo Hasse (http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,ERT304770-18283,00.html )

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A Cadeia do Arroz agora irá vender felicidade !

A Cadeia do Arroz agora irá vender felicidade! O novo posicionamento da Cadeia do Arroz percebido a partir da Abertura da Colheita em Mostardas-RS, na qual os seus integrantes sinalizaram uma postura voltada para o mercado, mostra a necessidade da implementação de novas atitudes no agronegócio orizícola. Primeiro é convencer-se que ocorreu uma grande mudança no hábito alimentar do brasileiro, provocada pelo funcionamento das empresas comerciais no horário do meio-dia e pela entrada da mulher no mercado de trabalho, direcionando o consumidor para o almoço fora da sua residência. A refeição agora é feita nos bufês dos caros espaços urbanos, que não podem ser ocupados por muito tempo pelo mesmo cliente. Esta refeição rápida e frugal em que é paga a quantidade consumida, faz com que o consumidor dê preferência às carnes e a outros pratos mais sofisticados e de menor peso, para não retornar ao trabalho sonolento pela quantidade ingerida. Este fato, aliado a maior renda do “Novo Consumidor”, está a indicar a diminuição do consumo de arroz voltado para a “panela ou à hora do almoço”. Se por um lado é um problema, por outro pode ser uma grande oportunidade em fazer o produto ser consumido noutros momentos do dia e em produtos com maior agregação de valor. São as bolachinhas com farinha de arroz para o seu delicioso lanche e os snacks e barras de cereais para dar as suas mordiscadas, enquanto cumpre a sua jornada de trabalho. O etanol de arroz será usado como combustível no seu carro Flex no ir e vir do trabalho, que aliás, está com o consumo mais elevado em face ao caótico trânsito das cidades. Do resíduo da produção do combustível à base de “arroz gigante”, sobra ainda o DDGS para a alimentação do gado, que irá fornecer a carne a ser consumida no bufê do restaurante ou no hambúrguer do fast food. Chegando em casa o álcool do cereal ainda será servido no seu drink ou na cerveja no happy hour com os amigos. Como o nosso consumidor chegou cansado pelo trabalho e pelo trânsito, está ansioso para ver seus programas de entretenimento na TV e participar das redes sociais no computador, tendo levado para casa uma comida pronta congelada, então lhe será servido no seu sofá um “peito de peru com ervilhas ao molho branco e arroz”. A sua felicidade somente estará completa quando entregar os cereais matinais e os sucos de arroz com frutas no café da manhã, para os filhos ou netos, além do pacote com a ração à base de arroz e cordeiro para o seu pet, que o recebe amistosamente, todos os dias, na porta do apartamento. Com as necessidades do consumidor atendidas, mesmo tendo desembolsado um maior valor por estas comodidades, estará extremamente satisfeito e terá repassado uma maior renda ao produtor, que poderá externar um novo ânimo e olhar o mercado e as suas oportunidades, contagiando os seus familiares, técnicos e demais colaboradores com o sucesso obtido. Este novo entusiasmo deverá lhe proporcionar convicção e autoridade para um sopro de modernização no relacionamento produtor e proprietário da terra, que envolve cerca de 11.000 arrendatários. Quem sabe a criação de um departamento ou associação estadual que represente os arrendatários? Também a contratação de consultores técnicos, financeiros, administrativos, de recursos humanos e de mercado, que lhe auxiliem na complexa tarefa de condução de uma agropecuária empresarial e comercial, que modernize a relação produtor e engenho ou produtor e fornecedor de insumos para a lavoura. Quem sabe também, a mudança do padrão de comercialização do arroz em casca para arroz beneficiado com a comercialização efetivada em bolsas de mercadorias, melhorando a transparência nas negociações realizadas com a efetivação de contratos a termo com preços previamente assegurados. A diversificação das atividades do arroz com a soja ou o sistema de integração lavoura pecuária, preconizados pela Agricultura de Baixo Carbono, que já estão sendo feitos, poderão ser incrementados em mais propriedades, se os contratos agrários forem estendidos por longo prazo com a utilização em tempo integral das áreas de cultivos, estes também poderão acessar os investimentos facilitados oferecidos pelos programas de crédito de armazenagem. Há ainda, a oportunidade de cultivo do arroz orgânico, biodinâmico ou agroecológico, a produção integrada com Identificação Geográfica, o preto e o integral, a ser oferecido a um segmento crescente de novos consumidores preocupados com a saúde. Também a função nutracêutica do farelo de arroz poderá ser explorada, pois tem como componentes: o óleo, fitatos, fitosterol, inositol, γ-orizanol e ácido ferúlico (segundo WARREN; FARREL, 1990 apud Faccin, G.C., 2009). Com todas estas possibilidades que o mercado está a nos mostrar para o arroz, agora “MULTIUSO”, mais as que os nossos especialistas em marketing vão desenvolver, o atual engenho deverá sair apenas do beneficiamento primário e adentrar na indústria de alimentos, chegando à indústria de nutrição. Para isso poderá contar com as linhas de investimento do FINAME com taxas pré-fixadas e prazo longo, que tanto já aproveitam as indústrias de máquinas e equipamentos e outros tantos setores. Claro está, que a quantidade mais significativa da produção, ainda será vendida no “cinquentão e guerreiro” saquinho para as refeições de uma grande parcela da população, que almoça no domicílio ou para os nossos valorosos trabalhadores brasileiros, que se alimentam com o tão saboroso arroz das comidas prontas elaboradas nas cozinhas industriais. Agora sim, enquanto o nosso “rei consumidor” repousa feliz e encantado com o tratamento recebido, nós, os agentes da cadeia de produção devemos seguir estudando o mercado, juntamente com as entidades de classe e de pesquisa (esta ainda com o foco muito voltado para a produção e produtividade), monitorando e contribuindo com o governo para que desempenhe as suas reais funções de Estado.

quarta-feira, 12 de março de 2014

A Cadeia do Arroz, enfim, com os olhos voltados para o mercado!

A Cadeia do Arroz, enfim, com os olhos voltados para o mercado! A cidade de Mostardas no RS, no período de 19 a 21 de fevereiro acolheu delegações de todas as regiões produtoras para a 24ª Abertura da Colheita do Arroz. Tudo correu as mil maravilhas, da organização ao clima, da participação dos agentes (produtores, agroindustriais, técnicos, expositores) ao entusiasmo contagiante dos presentes. O ponto alto do evento foi a percepção da mudança comportamental da maioria dos agentes, ao invés de estarem com os olhos voltados para o governo, voltaram-se para o mercado. O discurso do Presidente da Federarroz na solenidade de abertura registrou bem este novo direcionamento, manifestando poucas reivindicações aos representantes do governo: - reajuste do preço mínimo; liberação dos recursos de comercialização para que esta possa ser feita de forma escalonada; e, ações do IRGA para o setor buscar novas formas de comercialização. A visão da cadeia do arroz na direção do mercado já havia sido sinalizada pela feliz escolha das palestras técnicas, que teve no primeiro painel: - “O IRGA com Olhos no Futuro”, em que o presidente do instituto Cláudio Pereira proferiu conferência sobre as ações que estão sendo implementadas para a diversificação da lavoura de arroz com a soja e a integração lavoura pecuária para o fortalecimento da renda do produtor, ao livrar-se da monocultura do arroz. Consideramos como patriótica uma das suas falas e que já vem manifestando há algum tempo, repetindo-a na sua exposição, no sentido da “utilização do arroz como ingrediente de outros produtos”, aos moldes do que já é feito com o leite, o ovo etc, que já são consumidos em grande quantidade em outras formas processadas. Também discorreu o Presidente do IRGA sobre as ações do Instituto na contratação por concurso público de um efetivo técnico para a Autarquia e as ações que estão sendo feitas para a exportação do arroz na parceria com a Agência Apex-Brasil. Noutro painel, sobre a Competitividade da Produção de Arroz do RS, os apresentadores discorreram sobre a situação da cultura referente a oferta e demanda no Brasil e no mundo, ambas muito bem embasadas, tendo um deles avançado em relação a perspectiva de novos produtos à base de arroz, mas permaneceu um tanto pessimista quanto a infraestrutura e logística, numa análise pouco propositiva. No último painel do dia 19 sobre a Produção de Etanol de Arroz, sob a coordenação do Dr. Ariano Magalhães Junior da Embrapa/CPACT, este discorreu sobre a variedade de arroz Gigante apropriada para a produção de etanol e que deverá ser lançada na Expointer. Apresentou a seguir o Presidente da USI, Engº Agrº Flávio Malmann, que discorreu sobre o projeto da USI-Usinas Sociais Inteligentes que irá fomentar o plantio do arroz gigante para a produção de etanol, em parte da propriedade, fornecendo ao produtor o óleo diesel e os fertilizantes, num módulo com a área total de 1.500 hectares e que terá o primeiro projeto implantado ainda este ano no município de São Gabriel, juntamente com a usina que terá a capacidade de produção de 10.000 litros de álcool por dia. Haverá a participação da empresa CHS, que ficará encarregada da logística e comercialização do etanol produzido. O outro integrante do painel, Engenheiro Vilson Neumann Machado apresentou a seguir o seu projeto de biorrefinarias com o uso múltiplo de cereais inclusive o arroz, triticale e a batata doce, cujo projeto será lançado em breve pelo Governo do Estado do RS, agora contando com o estudo de viabilidade a ser elaborado pela empresa Katzen International Inc . No primeiro painel do dia 20, a palestra “Como transformar o Arroz em Caviar” apresentada pelo especialista em Marketing José Luiz Tejon Megido, a programação técnica e comercial teve o seu ápice. O palestrante enfatizou a necessidade de o arroz empregar as ferramentas do marketing na sua comercialização, seja na venda do produto beneficiado ou na diversificação de produtos, empregando o conceito não mais de indústria de alimentos, mas agora de indústria de nutrição. Produtos saudáveis com origem controlada para um consumidor cada vez mais exigente. Um dos debatedores do Painel, o Presidente do Sindicato da Indústria do Arroz concordou com as afirmações do palestrante, mas sugeriu que os recursos para a implementação de um programa de marketing saísse da taxa CDO que é destinada ao IRGA. O palestrante retomou o tema de forma incisiva, sugerindo aspectos pontuais a serem trabalhados, apontando formas concretas de realização e conclamando o setor em buscar alternativas de novas formas de inserção no mercado. O outro debatedor e Presidente da Associação Braford e Hereford mostrou a forma de organização do seu grupo e os avanços que vem conquistando na comercialização da carne com selo de qualidade no mercado nacional e internacional. Também mostrou a fotografia de uma gôndola de arroz em um supermercado na cidade de Panamá, em que um pacote de arroz americano obtém um preço três vezes superior ao de uma marca brasileira, questionando o palestrante sobre o porque disso acontecer. No último painel “Como o arrozeiro gaúcho poderá ser um exportador” com o pioneiro na exportação de soja para a China, este afirmou a sua convicção de que a soja terá demanda crescente e o arroz também seguirá a mesma trajetória, diante da perspectiva do mundo por alimentos e o esgotamento das fronteiras agrícolas com aptidão para dar resposta a esta necessidade. Sua fala limitou-se a exportação na forma de commodity, não adentrando na possibilidade enfatizada no painel anterior sobre a transformação do produto. Como já acompanhamos os problemas da socioeconomia da lavoura de arroz há 27 anos e com mais de vinte artigos publicados, entendemos ter havido um avanço significativo na postura do setor a partir deste evento realizado em Mostardas. No período mencionado, apontamos como os principais problemas da lavoura de arroz, a monocultura, o arrendamento, a alta imobilização de capital no negócio produtivo e a comercialização. O efeito da quebra da monocultura já vem mostrando seus resultados nos preços de comercialização do arroz, assim como a compreensão pelo setor da necessidade de transformar o arroz em outros produtos com maior valor agregado e com a utilização das ferramentas do marketing trará maior renda aos agentes e as suas comunidades. O aspecto da gestão financeira da propriedade ainda não foi incluído nos dias de campo, embora conste da ata da Comissão Setorial do Arroz, tendo no custo do arrendamento da terra e da água o principal item a ser abordado. A oferta do arroz beneficiado em bolsa de mercadoria, também é outro item que ainda não vem sendo tratado pelo setor e que poderá abrir novas frentes de comercialização ao produtor e a novos entrantes. O marco mais importante desta 24ª Abertura da Colheita do Arroz que devemos comemorar e apoiar é a mudança de postura dos novos líderes, que com atitude e coragem trazem nova perspectiva a um setor que pode trazer maior progresso a uma extensa região do RS com alto potencial de produção. Parabéns a todos!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

RE: Uma industria chamada agricultura

(Artigo publicado no site agrolink.com.br/colunistas/economia) Em artigo um tanto confuso e que não representa o mínimo que podia se esperar de um pensamento avançado de um técnico com vasto currículo profissional, o presidente da EMBRAPA defende tese retrógrada conformando-se e ainda justificando a exportação dos produtos agrícolas na forma de commodity. Tomamos conhecimento do texto publicado em jornais do país no dia 04/11/2013 e no site da instituição do dia 14/10/2013, no endereço http://www.embrapa.br/imprensa/noticias/2013/outubro/3a-semana/artigo-uma-industria-chamada-agricultura. Estamos certos que tal pensamento não representa a grande maioria dos pesquisadores da Embrapa e esperamos que também não o seja das forças políticas que lhe dão sustentação, num posto que deve pontear a vanguarda do agronegócio brasileiro. É tamanha a certeza que temos que a tese defendida pelo dirigente não é dominante na EMBRAPA, em face termos acompanhado o esforço dispendido por técnicos da Embrapa Trigo e da Embrapa Soja para levar a efeito a Américas: Conferência Internacional de Utilização de Soja. Buscam estes técnicos a agregação de valor a commodity, como há muito fazem os chineses, que não reclamam do preço que pagam pelo produto aos agricultores brasileiros. Noutra cruzada brilhante contra o atraso comercial agropecuário que ainda vivemos, um pesquisador da área do trigo afirmou que o problema da cultura não é produção ou qualidade do grão e que o seu principal problema é o comércio. Sem falar noutras ações de dirigentes de unidades da Embrapa como a de Arroz e Feijão sobre a agregação de valor ao arroz. No caso do arroz, que trabalhamos com maior proximidade, recentemente tivemos o presidente do Instituto Riograndense do Arroz – IRGA, defendendo a tese que “o arroz tem que ser usado como ingrediente de outros produtos”, como uma forma de agregação de valor e retorno de uma maior remuneração ao produtor. O Presidente Lula no Café com o Presidente de 25.05.2009, com a responsabilidade inerente a sua função na época, disse: - “Os vendedores como nós, que queremos vender, é que temos que sair, bater à porta dos outros e dizer que nós existimos, e que temos produtos sofisticados, além das commodities”. Em artigos publicados, ao longo destes últimos 20 anos, trabalhamos na direção da melhoria da renda dos produtores e dos moradores do interior do país. Com recursos próprios, pregamos a mudança de conceitos na agricultura brasileira, através da palestra “Inovações em Agronegócios”. Dizemos que: - Vender arroz em casca é como vender milho em espiga. Descascar arroz não é indústria, indústria é fazer biscoito, bolacha, chips etc. Estes textos também correm o Brasil, via internet, palestras e na mídia impressa com a maior aceitação dos agentes que temos contatado, inclusive dos seus antecessores no cargo. Enfim, evoluímos muito nas técnicas de produção e produtividade e na hora de ganhar dinheiro entregamos para outro ganhar. Em artigo publicado na Zero Hora de 14/06/2013, as lideranças municipais de Tupanciretã-RS, queixam-se que a soja é transportada por caminhões em estradas esburacadas do município em direção ao porto de Rio Grande e dali para a China. Ganham os produtores, as revendas de insumos, máquinas, fretes e sobra muito pouco para a municipalidade investir em infraestrutura e geração de empregos para os jovens, que estão abandonando o município, pois nem para óleo a soja é esmagada no local. Para termos uma idéia do que a “descomoditização” contribui para o aumento da renda municipal, temos o exemplo de Capão do Leão-RS, onde um produtor que cultiva 1.000 hectares e que beneficia parte do produto colhido, contribui com 3,3% do ICMS do município. Outra agroindústria de arroz um pouco maior, 9,8% e uma média cooperativa de laticínios, que transforma o leite em vários produtos é responsável pela geração de 37% da arrecadação municipal. Isto sem falar em municípios do Paraná, como Toledo com cerca de 119.000 habitantes e o 9º PIB agrícola municipal do Brasil e que possui uma infraestrutura invejável. Também pudera, presidente, vende filé de Tilápia a 28,00 o kg. Cria o peixe, produz a ração, engorda, abate e exporta para os EE.UU., já embalada. Outro excelente exemplo é o da cadeia do frango, que comercializa produtos diferenciados, cortes especiais e mais de cem itens aos consumidores nacionais e internacionais. Esta há muito, quase que abandonou o frango inteiro com o pescoço, pés e miúdos no seu interior, satisfazendo o consumidor moderno com maior renda e menor tempo para as refeições. Na repartição da renda desta apregoada agricultura baseada em insumos e máquinas focalizada no seu artigo, ganham os produtores mais especializados, os agentes do comércio de insumos e de máquinas, além dos empregos gerados. Para uma gama significativa de produtores, ocorre uma grande movimentação financeira, mas que ao final, em sistemas de gestão não tão aprimorados e de comércio intrincado, “trocam seis por meia dúzia”, quando não fecham em “vermelho”. Alguns empresários obtêm maiores lucros nos juros que cobram nos sistemas “troca-troca” do que no produto que vendem. Outros vendem e recebem à vista via crédito rural e “pouco se lixam” em saber se o agricultor terá meios para o pagamento, ou estabelecem algum acompanhamento ou compromisso de compra antecipada da produção. Temos o recente caso do milho no Centro Oeste, que está a desdizer o apregoado com a exportação de commodities agrícolas. Eis que este sai da zona de produção a R$10,00/saco e chega ao porto a R$28,00/saco, gastando mais em combustível, estiva e algum almoço na beira da estrada do que vale o produto na lavoura. É imprescindível que este milho saia, ou seja consumido lá mesmo, na forma de carne, álcool ou e em outros produtos em que o articulista poderá fazer a Embrapa ajudar a elaborar. Isto sem falar no café, no boi e no arroz, dentre outros. Esperamos que o presidente da EMBRAPA reveja a sua posição, busque a urgente integração das Unidades da Embrapa Agroindústria com as demais unidades para alavancar a renda das populações rurais, dos produtores e dos moradores do interior do país, para que estes não precisem se deslocar para o flagelo da vida urbana atual. Ao encerrar a sua frágil argumentação, o articulista ainda sugere a volta do malfadado subsídio agrícola, de triste memória, num país de miseráveis e credores de um vultoso investimento duma dívida histórica que temos com este povo brasileiro em educação básica e técnica. Temos que tirar a visão somente da lavoura estendendo-a ao consumidor, como muitas empresas e cooperativas brasileiras já estão fazendo. Dizemos: - “Novos produtos para um novo consumidor”. Tomemos o exemplo das indústrias de automóveis, de celulares ou de computadores, que a cada pouco reinventam os seus produtos. O agricultor brasileiro, seus técnicos e agentes econômicos podem mais que somente plantar, colher e exportar apenas commodities agrícolas, desde que a inteligência do agronegócio seja voltada também para o consumo e para o aumento da renda e que os novos conceitos sejam assimilados. Somos inteligentes, trabalhadores e criativos e o Jeca Tatú não existe mais!

domingo, 10 de novembro de 2013

A democratização do comércio agropecuário

A democratização do comércio agropecuário Quantidade de visitas: 304 17/10/2013 - 23:04 José Nei Telesca Barbosa Nestes tempos de enormes avanços na democracia política em que tudo pode ser livremente abordado, ainda há um setor em que vemos a necessidade de que seja bafejado pelo sopro do espírito democrático. A democracia pressupõe uma ampla participação do povo em que este pode escolher, fiscalizar ou retirar o apoio aos seus governantes. Claro está que há regras previamente estabelecidas sob o pilar supremo da Constituição Federal, embora haja desvios, há formas de controlá-los. Noutra ponta está o comércio de produtos, insumos e equipamentos agropecuários, completamente sem transparência ou controle, tudo ao sabor do tal “mercado”. Há a exceção em poucos produtos comercializados em bolsa de mercadoria num plano internacional, como é o caso da soja. Neste produto, antes mesmo de plantar, o agricultor já tem uma idéia do valor de venda e pode comercializar parte da sua produção. A própria soja já está sendo questionada a respeito da sua comercialização na forma bruta, em que é colhida, colocada em cima de caminhões e dali para a exportação, ficando pouca renda para os municípios de origem. Em relação aos insumos que são utilizados na lavoura, não há a obediência de regras comerciais transparentes, em vista que quanto mais sobe o preço de comercialização, mais sobe o preço dos insumos e equipamentos, permanecendo o seu motivo sob o manto do obscurantismo. A Embrapa Trigo tomou a elogiável iniciativa em promover a discussão sobre a utilização de soja em produtos de maior valor agregado, como já fazem algumas empresas transnacionais, cooperativas do Paraná e há muito tempo fazem os chineses. O mercado do boi, do arroz e do trigo é um verdadeiro “tiro no escuro”, tanto o produtor pode acertar como “errar feio” na hora de comercializar e quando isto acontece sofre grandes prejuízos com enorme redução na receita, tendo a necessidade de elevados aportes do tesouro nacional. Na lavoura do arroz irrigado há um sistema feudal no arrendamento da terra e da água no caso de quarenta por cento dos produtores, o que é um assunto fechado e ainda visto como um fator de “mercado”. Em 1993, escrevemos o artigo “A comercialização agrícola no tempo do fio de bigode”, sobre este tema. De lá para cá, passaram-se vinte anos e a situação pouco se modificou, ocorreu a democratização da informação, mas que ainda não trouxe a transparência ao ato comercial. São descontos descabidos, aperto na classificação, conversa mole, tergiversações, lugares-comuns, todos empregados no sentido de reduzir os preços dos produtos adquiridos dos agricultores. Em recente discussão sobre o trigo, houve a afirmação que o problema do produto não é a produtividade ou a sua qualidade de panificação, como toda hora é alegada pelos compradores e que o problema do trigo é o comércio. Os poucos agentes de compra encontram inúmeras desculpas para depreciar o produto na safra para comprá-lo barato logo mais adiante. Em carta aberta houve o questionamento da notícia veiculada na imprensa, mas o fato merece apoio e o desagravo diante da correção da afirmação feita. Não existe publicação de índices ou de informações dos descontos praticados pelos agentes do comércio ou da agroindústria ou comentários postados por produtores que tenham sido prejudicados ou gratificados em suas praticas comerciais e de negócios, como os que existem nos magazines que comercializam produtos na internet. O acesso a um comércio mais transparente irá elevar a renda do setor rural, aumentará os investimentos dos agricultores, haverá maior geração de emprego e renda no campo e “desacomodará” os atuais agentes de comércio. Hoje estes estão na posição tranqüila de “ganhar para trás”, estabelecendo sua margem de lucro na hora da compra do produto rural, ao invés de ganhar “para a frente” na direção do consumidor, oferecendo-lhe produtos transformados, diferenciados ou com valor agregado. O comércio de insumos e equipamentos também está na mesma situação. São praticadas margens elevadíssimas e que são desconversadas e atribuídas a “alta carga tributária”, “a alta do dólar”, “alta do aço” para esconder as altas margens de lucro que são praticadas. Ganham na margem do produto e não na quantidade vendida. Do lado dos agricultores e das suas assessorias há a imperiosa necessidade de exercer a cidadania comercial, indignando-se, reclamando, divulgando, buscando alternativas, seja na forma individual ou através de suas lideranças. Estas também não podem dividir-se ou ficar entre “dois corações”, exercitando apenas cargos honoríficos, tem que tomar partido da categoria, arregaçar as mangas e buscar soluções de mercado e não somente reivindicar junto ao governo. Este deve observar com equidistância, acionando seus órgãos fiscalizadores quando a situação assim exigir. Há casos em que o Ministério Público ou os demais órgãos de defesa do consumidor devem ser acionados. Os serviços nacionais de educação comercial e de apoio empresarial devem preparar também os agricultores e não somente os comerciantes urbanos no trato das questões de compra e venda e da estruturação de estratégias comerciais. Já temos o exemplo da democracia política, que tem sido boa para todos e, seguramente, com a implantação de uma democracia comercial todos sairão ganhando.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um novo rural, novos negócios!

  

            A evolução do espaço rural da agricultura familiar da região sul do Brasil é inequívoca. Há a presença da energia elétrica em, praticamente, 100% dos estabelecimentos. O elevado índice de mecanização agrícola na condução dos cultivos reduziu a rudeza do trabalho e liberou parte da mão-de-obra e do seu tempo para o exercício de outras atividades.    
             Convive hoje, o agricultor familiar ainda com suas atividades relacionadas à terra, mas também com oficinas mecânicas, serrarias, pequenos matadouros, armazéns etc.
            Esta nova conformação trouxe também a  evolução da renda agropecuária e o ingresso de outras fontes de recursos, seja pelos ganhos de produtividade, pelo desenvolvimento de outras atividades, ou ainda, pelo acesso a aposentadoria rural e a outras políticas compensatórias.
            Na pesquisa “Caracterização do Novo Rural” dos professores José Graziano da Silva e Rodolfo Hoffmann, do Núcleo de Estudos Agrícolas do Instituto de Economia da Universidade de Campinas, citada na Edição Impressa 52 – Abril de 2000, da FAPESP Pesquisa On Line, em artigo de Cláudia Izique, é enfatizada a necessidade do PRONAF- Programa Nacional de Fortalecimento  Agricultura Familiar apoiar as famílias pluriativas, ou seja, que combinam atividades agrícolas e não agrícolas.
            Não obstante o elevado valor da pesquisa mencionada, o tema já fazia parte em nossas prosas na roda do chimarrão ao redor do fogo com o nosso pai, que observava em suas tropeadas, o que já ocorria no interior do município de São Lourenço do Sul-RS. Ali havia oficinas de ferreiros, fábricas de cepas de tamancos, barbearias e que isto ainda não existia em nosso município de Canguçu-RS.
            Hoje as possibilidades se descortinaram com a presença dos novos maquinários e equipamentos agrícolas, automóveis, motocicletas, eletrodomésticos, que permitem o estabelecimento da oferta de serviços para o conserto destes bens em tempo integral ou parcial.  Também, se observa a presença de caixeiros-viajantes, oriundos da sede do município trazendo mantimentos, frutas, pães, bolos etc, indicando que há possibilidade dos moradores locais dedicarem-se a estas atividades comerciais e de serviços.  A existência de festas de comunidades, casamentos e formaturas cada vez mais frequentes e requintadas, já possibilita a presença de institutos de beleza para que a mulher rural não necessite  mais ir à cidade arrumar-se e depois retornar ao interior para atender o seu compromisso social.
            Nos anos 80, já se observava no município de Nova Petrópolis-RS, na Rota das Hortências, a existência de produtores de leite, que manejavam seus animais e de quando em vez, ao parar um automóvel as margens da rodovia, largavam a sua atividade e corriam em sua malharia para vender um blusão, retornando à sua ocupação anterior logo em seguida.
            A percepção destas possibilidades e as atitudes necessárias para a sua viabilização passam por mudanças de conceitos do agricultor familiar e da sociedade urbana que com ele interage. Ao agricultor ainda lhe é impingido que não pode comprar nada e que tenha que plantar e criar de tudo, porco, frango, horta etc.  Ao  morador da cidade tudo é permitido comprar, pois pode ir ao supermercado abastecer-se e sentar-se à frente da televisão para consumir o que bem  lhe aprouver.
            Esta combinação de atividades agrícolas e não agrícolas além de ampliar a renda familiar, irá absorver aqueles jovens que possuem outras vocações, que não somente a atividade agropecuária, além de propiciar a sua independência financeira.
            Nos últimos planos de safra da agricultura familiar, ficou mais clara a possibilidade do financiamento destes investimentos (oficinas mecânicas, borracharia, serrarias, salão de beleza, padarias etc) através do PRONAF. 
O agricultor familiar possuindo a sua carta de aptidão de enquadramento no PRONAF pode ele, ou ela, investir em atividades agropecuárias ou não-agropecuárias, para a implantação, ampliação ou modernização da estrutura de produção, beneficiamento, industrialização e de serviços no estabelecimento rural ou em áreas comunitárias rurais próximas, de acordo com projetos específicos (MCR 10-5-4).
Esta oportunidade de negócios, que traz mais renda e progresso ao interior poderá ser financiada pelo PRONAF em dez anos de prazo com até cinco anos de carência.  Compartilhe esta informação!